Zona Azul sobe 150% em Ubatuba: com TPA, passeio pode custar R$ 63,86 antes do primeiro consumo
Nova tarifa começa em 9 de outubro e não prevê desconto para poucas horas nas praias; análise aponta risco de redução do consumo no comércio local.
Antes de comprar uma água, almoçar em um quiosque ou escolher uma lembrança, o visitante de Ubatuba poderá desembolsar R$ 63,86 apenas com estacionamento e Taxa de Preservação Ambiental (TPA). O cálculo considera um carro de passeio sem isenção, uma diária da taxa ambiental e o novo bilhete da Zona Azul Praias, que sobe de R$ 20 para R$ 50 em 9 de outubro.
O aumento de 150% alcança 18 áreas de praias e loteamentos, incluindo Praia Grande, Tenório, Toninhas e Itamambuca. Na Zona Azul Cidade 2, que abrange trechos do Itaguá, da Avenida Iperoig e bolsões de estacionamento, a cobrança também aumenta 150%: de R$ 2 para R$ 5 por hora. A Prefeitura confirma os novos valores e atribui a mudança à necessidade de manter e modernizar o sistema.
A análise crítica está na proporcionalidade da cobrança: o bilhete de praia oferece até 12 horas, mas não prevê uma opção mais barata para quem deseja ficar apenas uma ou duas horas. Para esse visitante, um passeio curto passa a carregar um custo elevado antes de qualquer consumo.

Poucas horas de praia, R$ 50 de estacionamento
O Decreto Municipal nº 9.197/2026 estabelece R$ 50 pelo período de até 12 horas, dentro do horário das 7h às 19h. O texto não cria faixas de preço por duração na modalidade Praias.
Isso significa que, para um veículo sujeito à cobrança, ocupar uma vaga por duas horas custa o mesmo que permanecer durante todo o período disponível.
O modelo pesa proporcionalmente mais sobre quem faz uma visita breve. Uma família que deseja aproveitar a praia por duas horas, um visitante que chega no fim da tarde ou alguém que interrompe o passeio por chuva não encontra, no novo decreto, uma tarifa correspondente ao tempo utilizado.
Uma cobrança por hora, um bilhete de curta duração ou um teto diário seriam alternativas a discutir. Sem essas opções, a flexibilidade do passeio diminui, enquanto o custo de estacionar permanece integral.

A TPA aumenta a conta, mas existem isenções
Além do estacionamento, Ubatuba cobra a TPA, destinada a financiar ações relacionadas à preservação ambiental. Para automóveis de pequeno porte, o valor previsto para 2026 é de R$ 13,86 por diária.
As duas cobranças têm finalidades distintas, mas chegam ao mesmo orçamento do visitante. Em um cenário com uma diária de TPA e um bilhete de praia, a conta fica assim:
| Despesa | Valor |
|---|---|
| Zona Azul Praias | R$ 50 |
| Uma diária de TPA para carro de passeio | R$ 13,86 |
| Total | R$ 63,86 |
Há uma ressalva essencial: a operadora informa isenção automática da TPA para veículos com permanência inferior a quatro horas no município. Também são isentos veículos licenciados em Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela, Paraty, Cunha, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra. Outras hipóteses dependem de cadastro e comprovação.
Portanto, duas horas na praia não significam necessariamente pagar TPA: o que importa para essa taxa é a permanência total no município e o enquadramento nas regras de isenção. Mesmo quando a TPA não incide, porém, o estacionamento nas áreas tarifadas continua custando R$ 50 para quem não tem isenção da Zona Azul.

O dinheiro do estacionamento pode fazer falta no comércio
O efeito econômico não termina na vaga ocupada. Para quem viaja com orçamento limitado, valor do estacionamento podem sair do dinheiro reservado para refeições, bebidas, compras ou passeios.
O visitante pode reagir escolhendo outro destino, reduzindo a frequência das viagens, levando mais alimentos de casa ou cortando compras. São possibilidades econômicas, não resultados já medidos. Ainda assim, representam um risco relevante para quiosques, restaurantes, ambulantes, lojas e outros negócios que dependem do consumo turístico.
A isenção de veículos registrados em Ubatuba protege parte dos moradores da despesa direta. Ela não protege o comerciante de uma eventual redução no gasto dos clientes.
Se uma parcela do público pensar duas vezes antes de visitar a cidade — ou decidir economizar depois de chegar —, o impacto poderá alcançar justamente quem vive do movimento nas praias.
Um aumento dessa dimensão exige explicações concretas
A tarifa passa a ser 2,5 vezes o valor anterior. Segundo o levantamento do valor de referência, o IPCA acumulado de janeiro de 2022 a agosto de 2026 foi de 24,73%, muito abaixo do reajuste de 150%.
Essa comparação não prova, sozinha, que a cobrança seja ilegal ou juridicamente abusiva: os custos de um sistema de estacionamento não precisam acompanhar exatamente a inflação geral. Mas evidencia por que a atualização exige uma justificativa mais detalhada do que a simples necessidade de reajustar preços.
A Emdurb afirma que a mudança busca melhorar fiscalização, tecnologia, sinalização e atendimento. O comunicado consultado, entretanto, não apresenta uma planilha que permita relacionar esses custos ao percentual aplicado.
Para avaliar a proporcionalidade da medida, seria relevante conhecer o custo da operação, a arrecadação atual, os investimentos previstos e os critérios usados para chegar a R$ 50. Também cabe perguntar se foram estudadas tarifas menores para visitas curtas e os possíveis efeitos sobre o comércio.
Onde a Zona Azul Praias custará R$ 50
A relação divulgada inclui:
- Tenório;
- Praia Grande;
- Toninhas;
- Enseada;
- Loteamento Santa Rita;
- Loteamento Domingas Dias;
- Loteamento Pedra Verde;
- Praia Dura;
- Recanto da Lagoinha;
- Praia da Lagoinha;
- Maranduba;
- Perequê-Açu;
- Praia Vermelha do Norte;
- Itamambuca;
- Loteamento Praia do Félix;
- Loteamento Praia do Prumirim;
- Ubatumirim;
- Estaleiro.
A cobrança se refere às vagas abrangidas pelo sistema, e não a um ingresso para acessar a praia.
O que muda para moradores e visitantes
Os veículos registrados em Ubatuba ficam isentos na Zona Azul Cidade 2 e na Zona Azul Praias. Essa isenção não se estende à modalidade Zona Azul Cidade, cujo preço permanece inalterado. Pessoas idosas, com deficiência ou mobilidade reduzida devem observar as condições de credenciamento e utilização das vagas previstas no decreto.
Para quem paga, a mudança encarece tanto o dia de praia quanto a visita às áreas da Cidade 2. Nesse segundo setor, por hora passam de R$ 2 para R$ 5, com cobrança das 7h às 23h, por hora.
A questão central é como financiar a organização turística sem comprometer o acesso ao lazer e o consumo que sustenta os negócios locais. Um aumento de 150%, aplicado de uma só vez e sem opção reduzida para visitas curtas às praias, exige transparência, avaliação de impacto e discussão de alternativas.
Você mudaria seu roteiro ou reduziria os gastos no comércio por causa dessas cobranças? Compartilhe sua experiência com o Jornal Agora Litoral Norte.
Nota editorial: Esta análise considera o decreto e as informações públicas consultadas. Os possíveis efeitos sobre visitas e vendas são projeções analíticas; não foram apresentados como perdas já comprovadas.


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