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A três dias das eleições, disputa apertada e fake news colocam o eleitor sob pressão

Primeiro turno será neste domingo (4); além da Presidência, brasileiros escolherão governadores, deputados e dois senadores por estado.

A três dias das eleições, disputa apertada e fake news colocam o eleitor sob pressão

Faltam três dias para uma decisão que vai influenciar o preço dos alimentos, os serviços públicos, os investimentos e a condução política do país. Neste domingo, 4 de outubro, os brasileiros vão às urnas em uma eleição marcada pela disputa presidencial competitiva e por embates sobre informações falsas, liberdade de expressão e intervenção da Justiça nas redes sociais.

O primeiro turno das eleições 2026 terá votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Serão escolhidos presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais ou distritais. Um eventual segundo turno para presidente e governadores ocorrerá em 25 de outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para o eleitor, a dificuldade nesta reta final vai além de escolher um candidato. É necessário separar propostas de ataques, fatos de acusações e pesquisas de previsões definitivas — especialmente quando uma mensagem chega ao celular com aparência de notícia e urgência para ser compartilhada.

Pesquisas mostram competição, mas não antecipam o resultado

Os levantamentos recentes colocam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no centro da disputa presidencial, com resultados que variam conforme o instituto, o período de coleta e a metodologia. Pesquisas divulgadas nesta reta final também apontam cenários competitivos de segundo turno.

Na pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro, Lula apareceu com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, ambos registraram 42%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-06520/2026 no TSE.

Esses números retratam o momento das entrevistas. Não são votos apurados nem garantem quem vencerá. Também não é adequado misturar percentuais de pesquisas diferentes como se todos fizessem parte de um único levantamento.

A incerteza sobre o resultado faz parte de uma disputa democrática. Ela exige cautela com anúncios de vitória antecipada e com interpretações que transformam qualquer oscilação numérica em uma mudança definitiva do eleitorado.

Fake news levam a campanha para os tribunais

Um dos episódios recentes envolve a falsa narrativa de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Segundo apuração do Projeto Comprova, conteúdos que alimentaram a controvérsia recorreram a um projeto apresentado em 2007 por outro parlamentar e arquivado em 2008. Flávio não era autor da proposta e negou a intenção atribuída a ele. O caso mostra como um documento antigo, retirado de seu contexto, pode ser usado para sustentar uma alegação sobre o presente.

A disputa também chegou ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal. Conforme a cobertura publicada nesta quinta-feira (1º), o TSE permitiu a permanência de uma publicação específica do humorista Antonio Tabet, enquanto manteve restrições a outras mensagens que associavam o candidato à suposta retirada do título da santa.

Essa distinção importa: uma crítica, uma manifestação satírica e uma afirmação factual falsa não podem ser tratadas automaticamente como a mesma coisa. Da mesma forma, uma decisão sobre determinada postagem não resolve, por si só, a situação de todas as publicações relacionadas ao assunto.

Na análise do episódio, há dois interesses públicos a preservar: impedir que falsidades prejudiquem a escolha do eleitor e garantir espaço para crítica política. Ordens judiciais claras e fundamentadas ajudam a distinguir esses limites.

Inteligência artificial exige atenção ao contexto

A tecnologia acrescenta outra dificuldade à campanha: uma imagem ou uma voz convincente pode ter sido produzida artificialmente.

O TSE atualizou as regras eleitorais para enfrentar conteúdos fabricados, manipulados ou descontextualizados que possam prejudicar o equilíbrio da disputa e a integridade do processo eleitoral. As normas alcançam o uso de inteligência artificial por campanhas e plataformas.

Em setembro, o tribunal também definiu critérios para caracterizar deepfake. No julgamento, estabeleceu que a proibição eleitoral depende de o conteúdo se enquadrar como propaganda eleitoral e rejeitou um pedido de multa relacionado a um vídeo que recriou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro.

O caso reforça a necessidade de avaliar cada situação. A existência de inteligência artificial em um vídeo não autoriza concluir, sem análise, que houve uma infração. Por outro lado, o realismo de uma gravação também não garante sua autenticidade.

Antes de compartilhar, o eleitor deve procurar a publicação original, conferir a data e verificar se a declaração aparece integralmente em uma fonte identificável.

O debate precisa chegar às propostas

Quando a campanha gira em torno de acusações e respostas, questões concretas podem perder espaço: como financiar a saúde, melhorar a educação, enfrentar a violência e executar investimentos com responsabilidade?

Para moradores de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, essas escolhas têm relação com saneamento, mobilidade, habitação, prevenção de desastres, proteção ambiental e atendimento de saúde.

A análise de uma proposta deve considerar quem tem competência para executá-la, de onde virão os recursos e qual será o prazo. Uma promessa pode soar atraente e, ainda assim, depender de aprovação legislativa, articulação entre governos ou orçamento que não foi explicado.

Exigir essas respostas é uma forma de trazer o debate de volta à vida cotidiana, independentemente da preferência partidária.

A eleição também passa pelo Congresso

A atenção à Presidência não deve apagar as demais escolhas. Em 2026, cada eleitor votará em dois candidatos diferentes ao Senado, além de deputados federal e estadual, governador e presidente. A renovação alcança dois terços do Senado, com 54 cadeiras em disputa.

O Legislativo participa das decisões sobre leis, orçamento e fiscalização do Executivo. Assim, o resultado presidencial será apenas uma parte do quadro político que sairá das urnas.

Escolher quem governa e quem fiscaliza merece o mesmo cuidado com informação e propostas.

Como conferir informações antes de compartilhar

Nesta reta final, algumas verificações simples ajudam a reduzir o risco de espalhar desinformação:

  • Confira a origem: identifique quem publicou e se existe documento, entrevista ou decisão que sustente a mensagem.
  • Observe a data: acontecimentos antigos podem reaparecer como se fossem atuais.
  • Leia além da chamada: o título ou o trecho de um vídeo pode não representar o conteúdo completo.
  • Diferencie acusação de conclusão: um pedido à Justiça não equivale a uma decisão favorável.
  • Desconfie da urgência para repassar: pressão para compartilhar não substitui evidência.

O TSE oferece o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral, um canal anônimo para comunicar conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto que afetem a integridade das eleições. Os alertas são analisados e podem ser encaminhados às plataformas ou aos órgãos competentes.

Serviço: prepare-se para votar no domingo

A ordem de votação será:

Ordem Cargo Dígitos
1 Deputado federal 4
2 Deputado estadual ou distrital 5
3 Primeiro senador 3
4 Segundo senador 3
5 Governador 2
6 Presidente 2

A sequência é informada pela Justiça Eleitoral. Para o Senado, organize a anotação com dois nomes diferentes.

Leve um documento oficial com foto. O e-Título também pode ser usado para identificação quando apresentar a fotografia do eleitor. Celulares e outros aparelhos eletrônicos não podem ser levados à cabine; uma colinha em papel ajuda a lembrar os números. Confira antecipadamente seu local de votação nos canais oficiais.

Até domingo, a tarefa do eleitor é transformar o volume de mensagens em uma decisão informada. Conferir fatos, comparar propostas e reconhecer o que ainda não está comprovado são cuidados que preservam a autonomia do voto.

Compartilhe este serviço e acompanhe a cobertura eleitoral do Jornal Agora Litoral Norte.

Nota editorial: Informações verificadas até 1º de outubro de 2026. Pesquisas retratam o período de coleta, e decisões judiciais podem ter novos desdobramentos.

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