Rotas de fuga, pontos de encontro e locais de abrigo deverão fazer parte de um novo plano de contingência em Ilhabela. A prefeitura e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) criaram, na quarta-feira (12), um grupo de trabalho para preparar o município diante do risco de chuvas intensas, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.
Chamado de Grupo de Trabalho Municipal de Prevenção às Mudanças Climáticas, o colegiado terá a missão de organizar medidas preventivas, ampliar a comunicação com os moradores e definir como o poder público deverá agir diante de possíveis emergências.
A iniciativa ocorre em meio à intensificação do El Niño. O CPTEC/Inpe aponta elevada probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade forte ou muito forte entre agosto e outubro de 2026. A Organização Meteorológica Mundial também projeta o fortalecimento do El Niño no período, mas ressalta que os efeitos variam conforme a região e não representam, isoladamente, uma previsão de desastre em determinada cidade.
O que deverá entrar no plano de contingência
Entre as primeiras medidas apresentadas pela prefeitura estão ações de manutenção urbana, educação ambiental e preparação da população.
O plano deverá contemplar:
- desassoreamento de rios;
- limpeza de bocas de lobo e bueiros;
- mapeamento e divulgação das rotas de fuga;
- definição de pontos de encontro;
- indicação dos locais que poderão funcionar como abrigos;
- ações de educação ambiental nas escolas;
- estratégia de comunicação para situações de emergência.
O material divulgado pela administração municipal não informa os prazos para a conclusão do plano nem o calendário de execução de cada medida.

Por que Ilhabela exige atenção especial
A geografia do arquipélago aumenta a necessidade de planejamento. Ilhabela possui áreas urbanizadas entre o mar e encostas da Serra do Mar, além de bairros próximos a cursos d’água e terrenos inclinados.
Em períodos de chuva persistente ou de grande volume concentrado em poucas horas, o solo pode ficar saturado, elevando o risco de escorregamentos. Alagamentos, quedas de árvores, bloqueios de vias e dificuldades de deslocamento também estão entre os problemas que exigem preparação das equipes municipais.
A secretária de Meio Ambiente, Maria Inez Fazzini, afirmou que o cenário mais preocupante para o município é a ocorrência de chuvas extremas em um curto intervalo.
“Esperamos que situações como essa não ocorram, mas precisamos deixar a população preparada para os cenários mais desafiadores”, declarou.
O que muda para os moradores
A principal mudança esperada é a criação de um protocolo mais claro para orientar a população antes e durante uma emergência.
Para funcionar na prática, porém, as informações precisarão chegar aos bairros de maneira acessível. O morador deverá saber se vive próximo a uma área de risco, qual trajeto utilizar para sair com segurança, onde encontrar um ponto de apoio e como receber alertas oficiais.
A promotora de Justiça de Meio Ambiente de Ilhabela, Ana Beatriz Mayr, destacou que as medidas precisam ser executadas antes do período de maior risco.
“É primordial que possamos garantir às pessoas o máximo de informações sobre as rotas de fuga, os pontos de encontro e locais de abrigo”, afirmou.
Segundo a promotora, o trabalho de mapeamento das zonas de risco também deverá ser comunicado de forma clara aos moradores, com o objetivo de prevenir desastres e proteger vidas.
Prevenção precisa ir além do período de chuvas
Embora o plano esteja sendo organizado diante da possibilidade de um El Niño intenso, a preparação municipal não deverá se limitar à duração do fenômeno.
Eventos climáticos extremos podem ocorrer mesmo fora de períodos de El Niño. Além disso, a intensidade e a localização das chuvas dependem de diferentes condições meteorológicas, razão pela qual previsões sazonais não substituem os alertas de curto prazo emitidos pela Defesa Civil e pelos órgãos de meteorologia.
Na prática, medidas como manutenção da drenagem, monitoramento das encostas, fiscalização da ocupação do solo, atualização dos mapas de risco e comunicação permanente com as comunidades precisam integrar uma política contínua de adaptação climática.
Quem participa do grupo
O Grupo de Trabalho Municipal de Prevenção às Mudanças Climáticas reúne representantes da prefeitura e do MP-SP:
- Maria Inez Fazzini, secretária municipal de Meio Ambiente;
- Ana Beatriz Mayr, promotora de Justiça de Meio Ambiente de Ilhabela;
- Joana Amaral Martinez Garcia, secretária-adjunta de Obras e Planejamento Urbano;
- Luiz Rodolfo da Silva, secretário-adjunto de Assuntos Jurídicos;
- Jaqueline de Cássia Barbeiro, supervisora da Defesa Civil;
- representantes da Diretoria de Comunicação Pública.
A expectativa é que o grupo articule as diferentes áreas responsáveis por obras, defesa civil, meio ambiente, planejamento territorial e comunicação. A prefeitura ainda deverá informar quando o plano será concluído e como os moradores poderão consultar as rotas de fuga e os locais de abrigo.
Fonte: Prefeitura de Ilhabela/SP

