Empresária dona de pousada em Ubatuba foi presa temporariamente durante investigação sobre o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar. Polícia trabalha com hipótese de homicídio.
A prisão temporária da empresária apontada como patroa da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, representa um dos momentos mais importantes da investigação sobre o desaparecimento da funcionária em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A mulher é considerada a principal suspeita do caso e foi detida durante a Operação Último Rastro, realizada pela Polícia Civil na última sexta-feira (10).
A investigação ganhou novos contornos após a Polícia Civil reunir elementos que sustentam a hipótese de homicídio. Até o momento, entretanto, o corpo de Berenice ainda não foi localizado, e o caso segue sob sigilo parcial para não comprometer as diligências.
Operação apreendeu veículos, armas e celulares
A operação foi coordenada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião e mobilizou 14 policiais civis, além de cinco viaturas.
Durante o cumprimento do mandado de prisão temporária e de busca e apreensão, os investigadores localizaram a empresária em sua residência. Segundo a Polícia Civil, ela não ofereceu resistência e foi conduzida para prestar os procedimentos legais.
Além da prisão, foram apreendidos:
- dois veículos;
- três armas de fogo;
- aparelhos celulares;
- um passaporte.
Os investigadores também passaram a apurar a participação de um homem que teria descartado um telefone celular em uma área de mata durante o cumprimento dos mandados, comportamento considerado relevante para o andamento das investigações.
O desaparecimento de Berenice
Berenice Ramos de Aguiar desapareceu no dia 30 de junho, após sair para receber valores referentes à rescisão de seu contrato de trabalho.
Segundo as investigações, ela trabalhava como cozinheira em uma pousada da cidade e teria ido encontrar a empregadora para acertar o pagamento de seus direitos trabalhistas. Depois desse encontro, nunca mais foi vista.
Desde então, familiares registraram o desaparecimento e equipes da Polícia Civil iniciaram uma série de diligências para reconstruir os últimos passos da vítima.
Polícia trabalha com hipótese de homicídio
Inicialmente tratado como um caso de desaparecimento, o inquérito passou a considerar a possibilidade de homicídio após a coleta de depoimentos, análises técnicas e cruzamento de informações obtidas durante a investigação.
A principal linha investigativa aponta que o crime pode ter sido motivado por questões relacionadas ao pagamento de verbas trabalhistas.
Segundo a Polícia Civil, os indícios reunidos até o momento foram suficientes para convencer a Justiça da necessidade da prisão temporária da principal suspeita, permitindo o avanço das investigações e evitando eventual interferência na produção de provas.
Apesar da nova fase da investigação, a empresária ainda não foi julgada. A prisão temporária é uma medida cautelar prevista na legislação brasileira e não representa condenação, servindo para garantir o andamento das investigações.
Buscas continuam em Ubatuba
Após a prisão, equipes da Polícia Civil realizaram buscas detalhadas na residência da suspeita, nos veículos apreendidos e em áreas próximas ao imóvel em busca de vestígios que possam esclarecer o destino de Berenice.
Os materiais recolhidos passarão por perícia técnica e poderão contribuir para confirmar ou descartar as hipóteses investigadas.
Enquanto isso, familiares da cozinheira seguem aguardando respostas sobre o paradeiro da vítima.
Caso causa forte repercussão no Litoral Norte
O desaparecimento de Berenice provocou grande comoção em Ubatuba e em todo o Litoral Norte paulista, principalmente pela possibilidade de que uma disputa envolvendo direitos trabalhistas tenha motivado um crime.
O caso também reacendeu debates sobre a importância da proteção aos trabalhadores domésticos e empregados do setor de serviços, além da necessidade de rigor na apuração de crimes contra mulheres.
A expectativa é que os próximos laudos periciais, a análise dos aparelhos eletrônicos apreendidos e novos depoimentos possam esclarecer as circunstâncias do desaparecimento.
Até a conclusão do inquérito, a Polícia Civil mantém as investigações em andamento e não descarta novas diligências ou o envolvimento de outras pessoas.

